REVISTA VIRTUAL & ETC. #07 Fev 2010 "CARNAVAL TRADICIONAL, procura-se" Isaurinda Brissos

 

 

 

TRADIÇÔES DE CARNAVAL

 

 

 

Categoria: Notícias e política
Expresso Multimédia 

  OS GÓCHINHOS  
 

  

É uma velha prática. Apesar de todas as tentativas de os fazerem desaparecer, ainda existem.
Os góchinhos são ditos em forma entoada em voz alta, entre duas ou mais pessoas, durante a época do Carnaval, "a perna de Entrudo", e nos quais se alude aos actos e determinada pessoa, que na povoação tenham provocado escândalo ou, por que por qualquer motivo sejam dignos de censura...

Os "góchinheiros" procuram sempre os lugares mais escuros, um canto ou uma esquina, onde não possam facilmente ser apanhados de surpresa ou donde tenham facilidade de "as cavar", como único recurso para evitar as fúrias de alguém, quando directamente atingido.

Para não serem reconhecidos, os gochinheiros envolvem-se em mantas ou capotes alentejanos e, alterando a voz em altos e baixos, e de forma a que os lesados não ouçam, começam o diálogo.

- Olha lá...
- Que é?...
- Aonde?
- Fazer uma gochinhada!
- A quem?
- Então porquê?
- Por isto...(o acto censurável)

 

Todos - Ai que vergonha!...Oh!... Ai que vergonha!...

 

 

 

 
  OS FOLGUEDOS DE CARNAVAL  
 

 

Quase desapareceram por completo. Resumem-se, nas aldeias, quase exclusivamente à exibição das "danças" populares. A execução faz-se ao som de uma "charanga" dançando os executantes, que se apresentam aos casais vestindo exóticos uniformes e empunhando arcos enfeitados a papel de várias fitas que também são utilizadas para outros números do programa. Os movimentos da dança obedecem a um "mestre", que os dirige por meio de um apito.
Na quarta-feira de cinzas, faz-se o Enterro do Entrudo em que o bacalhau figura como defunto. Rodeado de vários farsantes que lhe fazem o funeral, com as suas informais lamúrias... 

 

 
  ENTERRO DO BACALHAU  
                                                                                                  

 

Há padres, feiras, bispos e cardeais. Há discursos, homilias, testamentos, certidões de óbito lidas em voz alta. Há marcha fúnebre, carpideiras que choram e muito povo a assistir aos mais de 300 figurantes e personagens que se incorporam no cortejo do Enterro do Bacalhau que acontece no Soutocico, Leiria, de quatro em quatro anos, num protesto tradicional contra a igreja que proibia o consumo total de carne durante a Quaresma mas que abria uma excepção a todos os que comprassem a bula, indulto que só servia os mais abastados. A maioria do povo socorria-se do peixe mais barato: o bacalhau.  

Durante a ditadura de Salazar, o Enterro do Bacalhau esteve proibido e foi retomado com o 25 de Abril. 

Dura duas horas, algumas lágrimas dignas de actores profissionais e muitas gargalhadas. No cortejo, ninguém de descose e mantém-se a solenidade do evento. 

 

 

           
     
OS CARETOS Lazarim 2008 - Luis Lobo Henriques
LUIS LOBO HENRIQUES Photography    
                                                                                      

Uma das manifestações populares de Lazarim são os caretos, máscaras de madeira de amieiro esculpidas por artesãos, e que saem à rua por alturas do Carnaval. São os jovens da própria terra, em especial as raparigas que, com grande espírito de humor e diversão, demonstram assim o seu apego a uma manifestação genuína de cultura popular.

Um dos pontos altos do Carnaval de Lazarim é a leitura, na praça da aldeia, dos Testamentos da Comadre e do Compadre feita sucessivamente por uma rapariga e um rapaz da terra.

 

O CARNAVAL DE LAZARIM, no concelho de Lamego, é sem dúvida dos mais genuínos carnavais portugueses, mantendo bem vivas tradições ancestrais que perduraram ao longo dos tempos. Máscaras carrancudas de madeira, esculpidas por artesãos da aldeia.

 

Aqui o ritmo das escolas de samba não conseguiu ainda penetrar, o que não deixa de tirar atractivos a este carnaval.


A tradição perde-se no tempo.

 
Conseguimos regredir no tempo, através do testemunho de um habitante da vila, que recorda ainda relatos do seu avô, e assim pesquisar mais sobre a tradição até ao ano de 1879. Por essa data, já se festejava em Lazarim o Carnaval, que assumia então contornos de uma manifestação medieval, carregada de referências ao belzebu, macabra e assustadora, em especial para os mais novos.

 

Máscaras de madeira eram frequentemente revestidas a pele de coelho, cujo pêlo era depois rapado a lâmina de barba, deixando apenas assinalados com o pêlo do próprio animal as zonas das sobrancelhas e do bigode.


Cobras e sardões, apanhados no estado de hibernação do inverno, eram também frequentemente utilizados. Pregados às máscaras de madeira serviam de ornamento a estas, deixando aterrorizadas as gentes de Lazarim.                             

  
  Lazarim 2008