Outubro 2009

Isaurinda Brissos - Lisboa - Portugal

 

 

 

 

 

 

 

ISAURINDA  BRISSOS

F  o   t   o   g   r   a   f   i   a  

 

 

 

 

 

LISBOA E O TEJO

O Conquistador
               

 

 

CANÇÃO DE LISBOA 

 

 
           

 

Lisboa sem Tejo era tudo
mas não
Lisboa, Lisboa, a Música
voa
e flutua.

Da rua ao rio
do rio à rua
voa
mensageira capicua.

Não. É verso minimalista
quando artista
não ressoa...
E por isso, Lisboa
não merece nem perdoa.

Tentemos então outra ronha
a (sem vergonha)
declaração de impotência
(junto aqui o auto unto)
do assunto:

Pedido que me foi um depoimento
acerca do estranho e perene casamento
entre Lisboa, estranha forma de vida
e a Música, perene vida da forma
cumpre-me declarar:
primeiro
sou (à partida)
estrangeiro
e então
tal concubinato
é tão
só, mistério grato.

Aplaudo desde já os noivos.
Foi-vos
leve namorarem
mais leviano casarem

Harmonia
em Lisboa, um contratempo:
à noite, tudo varia.
Tempos folgados
roubados ao rés
da luz
trazem luz própria
luz que não cansa,
a Música:
à noite (se bebe) dança
dança, e faz chorar:
Luz que, se apagar
já não dorme.

É conforme:
ou nos faz uma directa
forte, doida e rock amada
ou então, mais de mansinho
sonamboleia o Chiado:
vem do fado
Fado: sonho - por dor - acordado...  

                                                                                        
                Já se suspeitava: a Música não é indispensável. Como é possível escrever sobre ela? Entidade etérea, efémera, palpável apenas com grande esforço de imaginação, a música não tira a fome (como os pastelinhos de bacalhau), não tira a sede (como os dois copinhos de vinho branco), não repõe a ordem nem a autoridade (nem Lisboa o queria), não negoceia com o cimento armado as suas lápides comemorativas (que aliás nunca ficam nas fotografias, demasiado altas que as embutem), não cura doenças que não sejam as do sentimento (e mesmo essas, faz que cura...).

A música deixa apenas um cheiro na mão.
Nisso, honra lhe seja feita, é igual ao mangerico.

«Poema de Sérgio Godinho»
 

 

 

 

                 ISAURINDA  BRISSOS Lisboa e o Tejo